A passageira



Os motores barulhavam um som feito de pedras em garrafas de refrigerante,a pista era coberta de folhas alaranjadas,algumas molhadas e outras secas, que tinham a incrivel capacidade de constrastar com qualquer cor,é assim todo o outono.
As caixas de papelão sentiam frio e se encolhiam,mas para as duas crianças aquele amarrotado e suado pedaço de papel era na verdade uma lataria impecavelmente reluzente,pronta para levar um jovem garoto para um mundo além do olhar assombroso dos adultos.
A doença arrancava da garganta do piloto os ultimos suspiros,o orvalho gelado da manha cobriam seus olhos,começava a lhe faltar vida. A garota que pintava seu rosto com lama,era a comissária Sophie,seu braço direito,esquerdo,suas pernas,seu tudo em tudo.
O maior sonho de Tommy era ser piloto,o de Sophie,comissária de bordo,aquela era uma brincadeira séria,daquelas que se têm que brincar de verdade,viver de verdade,ser feliz com vontade,aquela seria a ultima vez que o honroso piloto sonharia.
No fim da pista,a frente do avião de modelo desconhecido,a ultima passageira vinha caminhando sem pressa,como quem não se importava de chegar atrasada,a verdade era que ninguém ali se importaria se ela demorasse minutos ou horas. De todas as formas que ela podia se camuflar,resolveu recebe-los como um homem,e mesmo com uma postura rígida e intocável,Tommy e Sophie a reconheceram de longe,parecia bem mais simpática e aceitável que todas as vezes que eles haviam a encontrado. Em poucos segundos ela ja estava sentada ao lado do pequeno piloto no avião minúsculo,segurou sua mão como se dissesse '' Não tenha medo ",Sophie observava a cena com um suor congelante nas mãos e um aperto agudo no peito.
A comissária recitou um monte de palavras embaralhadas que serviam de protocolo,estavam prontos para partir. Ela fechou a caixa e uma lágrima quente como a brasa traçou caminho em sua face,falecendo em seu queixo,ela ouviu a passageira dizer com calmaria '' Aqui vamos nós ",ouviu o ultimo suspiro sofrido do piloto,e respondeu com um Adeus.
Ali,no meio da floresta nebulosa,um avião enterrava suas asas de papelão em meio as folhas molhadas,um corpo gélido e franzino descansava sob o olhar embaçado de lagrimas de sua melhor amiga. O piloto havia partido para nunca mais voltar,sozinho com sua única e eterna passageira.

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