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Sobre o que vêm depois de dizer: SAUDADE

"Saudade". Quanto tempo esperei para ouvir essa palavra. E ela vem acompanhada de outras duas; "de você". Quase que explodo num sorriso só. Esperei tanto, pensei até em dize-la primeiro, não podia mais guardar e aguardar por você. E nesses surtos de coragem interna, eu te imaginava dizer um "também".
 Não quero reticências depois disso. Nem silêncio. E dessa vez eu vou falar. Vou te convidar pra vir aqui em casa assistir um filme. Ou vou te levar pra tomar açaí no Yet's. Eu vou tentar fazer essas coisas sem que pareçam um convite para voltar-mos ao passado. É que eu não quero mais viver dele. Eu quero coisas pra hoje, pra amanha e depois, eu quero você de novo, e de novo. Não quero espaço pra lembranças, nem pretéritos perfeitos ou imperfeitos.
Você já fez muito, em falar que sente minha falta. Me deixe fazer o resto, me deixe mostrar os motivos que te fizeram confessar. Deixa eu gritar dizendo que eu também quase falei, só não falei por medo do também não vir.

Ei, moleque!

Créditos: We Heart It

Coitada de mim? Claro. Mas coitada mesmo são das minhas unhas. Tadinhas. Que toda vez que a gente briga elas somem. Ficam um toquinho de esmalte descascado.
 Ai, porquê você faz isso hein? Porque você me tampa do sol e depois me larga lá queimando? Porque você vêm com essa sua mão de guarda-chuva me apanhar da chuva, e na metade do caminho corre me deixando pra trás? Olha pra mim. Olha pro meu cabelo. Olha pras minhas unhas. Olha o que você fez!
 Oh, garoto! Para de brincar comigo tá? Porque eu sou boneca, mas não sou brinquedo. Vai menino, finge que eu sou a questão que vale tudo na tua prova e me assinala com vontade e com certeza. Muita certeza. Porque eu já respondi todas as suas dúvidas moço, e se o problema for falta de caneta pra riscar, dá cá um beijo e tá tudo certo. Dou logo um 10 e te aprovo.
Mas se você correr na chuva e me deixar pra trás. Se ligar dizendo vou, e em 10 minutos ligar dizendo que não vêm mais. Então dai eu te reprovo. Marco um 0 pra você no lado esquerdo do meu peito. Te transfiro de escola porque meu coração não é lugar pra aluno desocupado.
 É que eu te gosto, te gosto muito. Gosto da sua companhia. Das vezes que você é exemplar. Você é ótimo garoto! E eu quero você pra mim, pra gente rir alto mais vezes. Pra gente se formar e ir além. Pra você ser alguém, e eu aplaudir. Pra gente ser "a gente" em qualquer lugar.
Mas você fica de molecagem, rapaz! Parece que não sabe o que quer. Para de sambar no meu coração por favor? Para de rir de mim! Para de ficar alongando tempo e de ficar me distraindo com beijos no rosto, cócegas e chocolate. Não me agrada não! Porque agrado assim eu já tive. E todo chocolate bem embrulhado e fora de hora vêm com gosto de "Adeus". E todos acabaram tão rápido quanto o "amor" de quem me deu.
Olha rapaz, se vai ficar de sapecagem, me olhando com esse sorriso de quem vai embora jaja e vai voltar com uma nova caixa de bombons, então pode ir! Não me ocupe o tempo se não pretende ocupar também o coração.
Se levante e saia, por favor! Logo menos entra um pra ocupar o teu assento, pode ser um decidido já com caneta, pode ser um que nem eu que anda desprevenido por ai, que diz sim com um beijo. Que vai me dar bombom com gosto de "vai durar'. Ou que não vai me dar nada, e vai ficar mesmo assim.
De qualquer forma, retire-se do meu coração por favor.

A última página de um romance "perfeito"

Créditos: Érica Lopez 

E é muito engraçado como escrevemos nossas histórias de amor. Nelas, as regras gramaticais sempre são ignoradas. Mas é que na verdade no amor não há regras. E é por isso que as escrevemos com ínicio e meio, sem fim.
 Grande erro. Viver nessa falsa positividade, ignorando a última página com um Fim escrito seguido de um ponto final quase invisível.  Apagando-o por diversas vezes, e observando-o ressurgir. Não há como ignorar. O fim é um fato. Fatos são adiáveis. Mas nunca, jamais irreversíveis.
 E cá estou eu, sem saber o que vêm depois disso. Como se aprendesse a andar, como se fosse um mundo novo. Devo chorar? Devo sair por ai? Devo fazer coisas óbvias? Deixar o tempo passar? Isso é difícil. Dó isso de ver meses serem separados por erros e horas. Acabou de vez dessa vez. Sem aquilo de preciso de um tempo ou falamos sobre isso amanha. Sem vírgulas, isso é um ponto final. E não há mais páginas para começar um novo capítulo.
 Eu gostaria de ter tudo programado. O que fazer depois de você. Mas sabe, eu não escrevi um romance real, redigi um conto de fadas com "pra sempre" como frase final. E droga, essas palavras têm mesmo poder.

Aspirina de Amor


Creditos: We Heart It

Mas antes de ir, por favor tome esta folha e esta caneta. Sente-se um pouco. Você já ficou tanto tempo, alguns minutos não farão diferença. 
 Poderia me responder algumas perguntas? Prometo ser rápida, mesmo que tal rapidez dependa mais das suas respostas do que das minhas perguntas. 
Comecemos pela mais complexa, ao meu ver. Já que eu não consigo entender, mas talvez você saiba explicar.   Porque está indo? Qual o motivo para me abandonar? 
Você pode desviar os olhos, prender a respiração, tiquetaquear com a caneta na cadeira, morder os lábios. Tudo isso denúncia a ausência de uma resposta. Ou a falta de coragem de dize-la. Eu prefiro acreditar na primeira opção. Dói menos. 
Podemos parar aqui, pedir uma pizza e não fazer disso uma grande peça dramática. Nós podemos rir disso tudo na cama com uma grande cesta de guloseimas sobre ela, ou quem sabe ar fresco te faça melhor. 
Mas já se passaram alguns minutos, e eu ainda ouço sua respiração sair pesada. Você ainda está tentando inventar um motivo ou está criando coragem para escreve-lo? 
Você não têm mais os mesmos olhos cheios de alegria que eu conheci a alguns anos atrás. Aonde eles estão? E porque se esconderam?  
Levante-se, venha comigo, vamos encontra-los de novo. Há solução pra tudo, sempre há. Lembra? Aprendemos juntos. 
Mas então você se mantém sentado, e se esquiva quando minha mão vai de encontro ao seu rosto. Me assusto e recuo lentamente, como que esperando que você se arrependa e se encaixe na palma da minha mão ainda aberta. 
Mas você não vêm, só me olha. Olhar que eu não conheço, olhar sem solução, sem cura. 
Talvez o grande problema do nosso amor tenha sido eu e meus tratamentos fajutos. Receitando aspirinas e comprimidinhos de farmácia, que curavam a dor da pele pra cima, mas que pioravam dela pra baixo. Aspirina que não chegava no coração e fazia doer cada dia mais. E eu achava que melhorava tudo e o mundo. Aspirina pra machucadinho, quando o seu era uma machucadão. Pra dorzinha, mas a sua dor era tão grande, quase insuportável. E eu te amava sem perceber que cada dia que passava eu perdia um pouquinho de você porque sua dor não passava. E eu achava que te curava mas toda noite sua dor piorava. E assim acontecia, dia após dia.  
E era eu quem fazia errado o tempo todo. Tentando te curar de doença que só existia em mim. Eu tentava te curar da falta de um amor de verdade, amor sem desespero igual ao meu. Um amor sem 70 chamadas perdidas, sem tapas, sem silêncio, sem pirraças.  
Dai você foi embora de pouquinho em pouquinho. E eu só notei quando me disseram que você havia comprado um apartamento na zona sul, que é onde o sol se põe mais bonito. Então ai eu vi que já era, já foi, acabou. Não deu. Fim. Você não ia mais se consultar comigo, não ia tomar mais "amador"... seu negócio agora era outro, era amor, mas daqueles de verdade, que a gente se abraça e vê o sol se pôr. 
Dai eu sentei aqui no meu sofá na zona oeste, com uma janela que dá pra ver a barra quase toda lá no fim depois de uns prédios velhos. Tomei minha aspirina, fechei os olhos e esperei a dor passar. Tô esperando. 

Boa noite


Créditos: We heart it

Pouco antes das 23, pouco depois das 22. Não sei exatamente em que momento deitei minha cabeça no travesseiro embalada pela expectativa de ouvir o vibrar do celular e visualizar no visor o nome Amor. Eu não tinha a mínima pretensão de dormir rapidamente. Então não somente meu corpo ouviu minhas preces, como também meu coração e minha mente. 

O que você está fazendo? Não quer falar comigo? Me esqueceu. 
Eu tenho você. E é diferente dessa vez. Eu o tenho sabendo que vai voltar depois que eu errar. Gritar. Magoar. Eu o tenho sem coleiras, sem apelos, sem cenas. Eu o tenho de uma forma espontânea, livre, que se for, volta. 

Ah mas meu coração resolveu tirar a noite pra brincar comigo. E diz que minha arrogância já esgotou a cota dos seus perdões. Que seu relevar tá quase no fim. Que se eu não mudar, você se muda de mim. Dai eu tenho medo. Muito medo. E eu choro. Choro muito!  
Não sei se dou meu máximo. Não sei o quanto o meu máximo é. Mas se eu tivesse que gastar todas as minhas forças em algo, seria em nós. 
Ninguém entende, quando eu digo que sem você não sou nada. É que ninguém deve ter vivido, alguns bons anos da vida, vendo sonhos se transformando em pó. Então você chegou e houve fé. E houve sonhos ressurgindo do pó. Houve cor, sorrisos, houve vida aonde só havia existência. São coisas que o amor faz.  E eu gostaria muito de dizer que eu posso continuar vivendo dias alegres longe de você, mas eu realmente duvido que posso.

De repente aquele barulho tão esperado soa debaixo das cobertas. Uma dor fina desatina de surpresa. É você. 

Idiota. Dramáaaatica. Assim mesmo, com muitos as e aquele tom de sarcasmo.  
Não vou falar que chorei, não vou falar no que pensei. Ou talvez eu fale, mas não conte tudo. Pode ser mesmo que seu relevar esteja contado. E não, eu não quero chegar perto de te perder. 
Eu não sei se posso atribuir todos os pensamentos desta noite a ausência da mensagem, ou se era algo predestinado a acontecer, que mais noite ou menos noite, eu acabaria refletindo sobre toda a minha vida, ou somente a parte importante dela (que era ele), num travesseiro encharcado de lágrimas.

Mas por via das dúvidas, não esqueça da mensagem de boa noite. Isso pode ser catastrófico.