Uma breve interpretação sobre a felicidade de dois fumantes semi apaixonados

Minhas comparações. Sou péssimas nelas. São estranhas, por vezes assustadoras, em outras engraçadas. Mas acima de tudo são sinceras.
Como naquele dia, depois do sétimo drink, quando eu saquei do maço um cigarro e você disse que também precisava de um. Nos dirigimos ao fumodromo. Você caminhava perfeitamente bem embora tivesse bebido mais doses. Eu pouco via a minha frente, e esforçava-me para não cambalear demais. Por sorte chegamos lá livre de tombos.
Ali em meio a tragadas agudas, um casal de lésbicas se pegando fortemente e playboys segurando seus iphones e chaves de carro atraindo as piriguetes. Eu e você pareciamos tão normais, tão próximos um do outro e tão distantes de tudo lá fora. Era metade alcool e metade o que realmente éramos. Admiradores de um bom silêncio.
 Eu gostava de você. Das coisas que fazia e como fazia. Das coisas que você falava, e de como falava. Da forma como observava, e escolhia. Como não se deixava enganar, como quem sabia de tudo. Você era o que eu queria ser, você sabia fazer as coisas do jeito que eu deveria fazer. Você era o cara certo, do jeito que eu havia imaginado. Você pensava como eu, você era eu. Só que de verdade.
 Você sabia dizer não, sabia sorrir de volta sem se encantar. Sabia não se apegar. Sabia tudo que eu passei minha adolescência querendo saber. Você sabia abraçar verdadeiramente, com amor, sei lá, talvez. Mas sabia não deixa-lo naqueles braços. Sabia sair dali sem mágoas ou paixões. E então eu fui tentar fazer o mesmo, mas acabei presa.
 Uma nuvem de fumaça passou pelo meu olho. Ah, como você amava soltar a fumaça no meu cabelo. Você sabia que eu odiava. Mesmo bebâda eu ainda me importava. Ou me importava ainda mais.
Fiz uma cara feia, traguei violentamente e me aproximando do rosto dele. Soltei a fumaça diretamente nos seus olhos. Confesso, quando você se abaixou coçando os olhos senti o remorso bater prontamente. Quando vi aqueles lindos olhos mel vermelhos e lacrimejando pensei "Droga, deixei ele cego". Você me olhou e soltou algo como "Sacana". Eu soltei o riso e te abracei. Você retornou, no abraço mais forte e pesado do mundo. Cheirou meu cabelo. Me fez fechar os olhos e por instante achar que eu podia ter você só pra mim.
Nunca sei o que dizer nesses momentos em que uma palavra ou uma frase pode mudar tudo. Ainda mais quando se está bebâda. Então eu soltei a coisa mais sincera que eu poderia ter falado.
- Você me deixa mais feliz do que achar que tenho 1 cigarro, e na real ter 2. Bem mais feliz que isso.
Você riu gradativamente, e não, eu não me senti envergonhada pelo que havia dito. Eu escutava o som da sua risada e ela apenas me confirmava o que havia dito. Você me fazia mais feliz que qualquer outra coisa.
Você segurou meu rosto e perguntou.
- Está muito bebâda? - Me senti ofendida. Nesse momento eu realmente me arrependi do que havia falado. Está certo, foi uma comparação idiota. Como eu disse, sou péssima com elas. Mas havia sinceridade ali, toda ela, havia um sentimento que eu nunca nem havia chegado perto de demonstrar. Mas eu demonstrei, talvez ele não tenha percebido. Mas era como se risse do que eu sentia. Me senti como uma bebâda dizendo coisas sem sentido. Me senti mal. Mas me segurei.
 Mais um daqueles momentos onde eu não sabia o que fazer nem pra onde ir. Apenas precisava sair dali. Fui pro bar, pedi alguma coisa que não me lembro agora. Provavelmente caipirinha. Segurei a dorzinha aguda no fundo peito no último. E se chorei misturei com a vodka. Ninguém viu.
- Ei você! - alguém gritou atrás de mim. Olhei. Era ele.
- Você me faz feliz mais que um comboio de Marlboro.

Fim? Começo? Aquela frase mudou muita coisa num segundo só.
Eu imaginei um caminhão de maços de cigarro. E que aquilo deveria ser muito grande. Eu o fazia muito feliz, então. E isso era bom. Muito bom. Muito mais do que eu precisava.

Um comentário:

  1. Muito bom seu texto, fazia um tempão que não encontrava alguém que escrevesse tão bem, parabéns. :O Estou seguindo seu blog, amei tudo aqui, beijos.

    BLOG: NAHBOA?!
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